Saturday, September 24, 2005

passou o eléctrico... corre para o apanhar

com o sol
as horas cheias
e a noite passada
em sono descansado,
acordamos em dias sem sombras de nada.
um vento rasgado
que nos levanta os olhos semi-cerrados
com gosto por um horizonte longe
que marca o mar e a terra sob o céu.

são dias assim, que passam
sem descortinar o que nos vai por dentro,
as chamas apagadas ou as cinzas ressuscitadas,
as ventanias calmas ou as brisas desenfreadas,
os sorrisos tristes ou as lágrimas apaixonadas,
são dias assim, que passam
sem passar à nossa passagem,
porque ficamos nós próprios sem passar
na linha ténue do nosso olhar.
são dias assim, que passam,
à espera de uma mensagem
que nunca nos disseram enviar.

são os dias assim, que passam,
à frente da carruagem do eléctrico que passou
para nos levar.

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